Exposição de desenhos e pinturas de Augusto César e Idésio Leal no Hall da Reitoria da UFSC.

01/09/2019 18:42

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Mergulho. Desenho de A. César

(Atualizado em 05.09.2019 às 14h08)

Abre nesta quinta-feira, 5 de setembro, às 18h30, no Hall da Reitoria da UFSC, a exposição “No limiar da Superfície”, com desenhos e pinturas de Augusto César de Oliveira e Idésio Leal. A mostra poderá ser vista de segunda a sexta-feira, das 7 às 19 horas, até o dia 19 de setembro. Ao todo deverão serão expostas cerca de 30 obras: desenhos com técnica mista e pinturas em acrílico sobre tela.

Os artistas se conheceram há alguns anos em Florianópolis e, naquela ocasião, devido à conexão que perceberam entre as suas obras, surgiu a ideia de algum dia realizarem uma exposição em conjunto, o que o público poderá apreciar agora.  A mostra na Universidade é uma promoção do Departamento Artístico Cultural (DAC)/SeCArte da Universidade Federal de Santa Catarina.

 

As obras e os artistas

Aliança. Desenho de A. César

Desenhos – Augusto César de Oliveira
O artista apresenta desenhos sobre papel, com dimensões em torno de (30×42)cm, em que faz uso de técnicas mistas, como têmpera goma arábica, pigmentos xadrez, grafite em pó e guache, e bico de pena. Os desenhos são apresentados aos pares, segundo duas séries: “pictórico”, com manchas de tinta a pincel, em temas abstratos, mas sempre com alguma referência ao natural, e “linear”, com bico de pena. O artista define as séries como “império da linha” e “império da mancha”. Os trabalhos são resultado de investigações em que o artista se lança ao desafio de chegar ao não previsível, de chegar a um resultado inesperado, e os trabalhos são apresentados não em posição horizontal, como paisagem, mas em posição vertical, como retrato, porque é um enquadramento que “aproxima o artista do objeto do quadro”. As obras foram produzidas no Rio de Janeiro e em Florianópolis, entre 1998 e 2017, e são mostradas agora pela primeira vez ao público.

Augusto César nasceu em Florianópolis (1958), onde residiu até os 6 anos de idade; ainda criança, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, cidade em que realizou sua formação artística e viveu até 2015, retornando em seguida à sua terra natal onde vive até hoje. Em Florianópolis, há alguns anos, acompanhou a produção de documentários da série de interprogramas “A cor da nossa tela” – criação e direção do cineasta Zeca Nunes Pires, sobre artistas visuais que vivem em Santa Catarina –, ocasião em que visitou ateliês e pode conhecer o trabalho e muitos artistas que vivem na cidade – foi numa dessas ocasiões que conheceu Idésio Leal.

É formado em Pintura e Gravura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, Rio de Janeiro, mesma cidade em que fez o curso “Arte no Século XX” com o professor Luis Camilo Osório e o curso de Pintura com o professor Charles Watson, e também participou de exposições no “X Salão de Alunos da Escola de Belas Artes – UFRJ – Pintura e Desenho, recebendo premiação pelo conjunto (1987), e no “1° Salão SESC de Gravura (RJ) – Litografias” (1996). Participou com xilogravuras da exposição “Brazilian Expressions” no The State University of West Georgia, Estados Unidos (1999). Salão de Artes Novíssimos – Galeria de Arte IBEU ( RJ) / Solar do Jambeiro, Niterói (RJ)  – Fotografias (2008). Em Santa Catarina, expôs fotografias no Hall da Reitoria da UFSC (2000) e desenhos, em 2015/2016, na Feira de Artes Visuais MOSQ – SC, da Fundação Hassis.

 

Pintura de Idésio Leal. 

Pinturas – Idésio Leal
As pinturas do artista remetem ao expressionismo, abordando temas clássicos da pintura: natureza morta, paisagem com casario e retratos. Os trabalhos têm dimensões aproximadas de (50×70)cm na técnica de acrílica sobre tela; dentre as obras desta mostra, há produções recentes. O crítico João Evangelista de Andrade Filho certa vez escreveu: “Reparemos nesse esforço sanguíneo de Idésio, onde vem aflorar os pulsantes motivos locais, as idiossincrasias do rico cotidiano, o bestiário ilhéu que se universaliza em nível de quase-mito; atendemos ao casamento da erudição e do brutalismo, e, em outro nível, ao jogo da imanência e da transcendência”.

Pintura de Idésio Leal. 

Idésio Leal Lourenço nasceu em Santo Antônio de Lisboa (1963), interior da Ilha de Santa Catarina. Em 1980 iniciou seus estudos de pintura com Rodrigo de Haro, assistindo o artista na realização de murais, como do Teatro Adolpho Mello, em São José (1981/2), e da Reitoria da UFSC, em Florianópolis: “Livro da criação da América Latina”. Expôs pela primeira vez em 1984 na Mostra de Artistas Catarinenses Jovens, no MASC, e desde então vem apresentando sua obra regularmente, inclusive participando da mostra “A Ilha em Buenos Aires” (Palais de Glace, 1995/6) e de uma individual na FUNARTE em São Paulo (1997). Além de pintor, Idésio Leal é mosaicista, tendo auxiliado Rodrigo de Haro em diversas obras. Atuou também como cenógrafo do filme “Cruz e Souza – O poeta do Desterro”, do blumenauense Silvio Bach(1998) e, nos anos oitenta, através da “Athanor”, editora artesanal na Lagoa da Conceição, publicou Martinho de Haro, Alcides ‘Buss, Pedro Port, Iaponan Araújo, Leonor Scliar Cabral e Rodrigo de Haro. Embora faça parte de um grupo de artistas que tem as tradições locais como tema principal, não sucumbiu à tentação da exploração seriada e monótona das mesmas. O artista está representado no acervo do MASC. Vive e trabalha na Ilha de Santa Catarina.

Veja o documentário “A cor da nossa tela” – Idésio Leal   

As reproduções das obras de Idésio Leal são do fotógrafo Rafael Barreto Bornhausen.

SERVIÇO:

O quê: Exposição “No limiar da Superfície”, com desenhos e pinturas de Augusto César de Oliveira e Idésio Leal.
Quando: Abertura: 5 de setembro de 2019, quinta-feira, às 18h30. Visitação: de segunda a sexta-feira, das 7 às 19 horas, até dia 19 de setembro.
Onde: Hall da Reitoria da UFSC, Campus da Trindade, Florianópolis (SC).
Quanto: Gratuito e aberto à comunidade.
Contato: Departamento Artístico Cultural da UFSC: (48) 3721-6493 e 3721-9447 – www.dac.ufsc.br

[CW] DAC/SeCArte/UFSC, com consulta ao Indicador Catarinense de Artes Plásticas, entrevista com artista e texto de Ylmar Corrêa Neto.

 

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29/08/2019 00:38

EVENTO CANCELADO em 2019- Inscrições abertas para apresentações artístico-culturais no palco da SEPEX 2019. Clic na imagem e saiba mais.

Encontro de iluminação cênica em Florianópolis, de 2 a 6/9

28/08/2019 17:12

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UDESC realiza 9ª edição do encontro de iluminação cênica em Florianópolis, de 2 a 6/9

Estão abertas as inscrições para a 9ª edição do evento “A Luz em Cena – Laboratórios Experimentais: Interfaces e Aprendizados”, que será realizado de 2 a 6 de setembro nas dependências do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e no Teatro da UFSC (ao lado da Igrejinha), numa parceria com o Departamento Artístico Cultural (DAC)/SeCArte/UFSC. A entrada é gratuita e as atividades estarão abertas à participação de alunos, professores, servidores e pessoas da comunidade em geral. As inscrições podem ser realizadas até 30 de agosto pelo formulário online, que contém a programação completa das oficinas, palestras, mesas de conversa e apresentações de trabalhos investigativos sobre o tema.

O evento terá como tema principal os laboratórios universitários de iluminação cênica, discutindo processos criativos e técnicos, compartilhando experiências de formação, dialogando sobre os avanços tecnológicos em aparatos artísticos, e interagindo com disciplinas do curso de Artes Cênicas e com a comunidade artística em geral.

Neste ano, com o apoio da Embaixada Francesa e da Aliança Francesa, o evento conta com a participação da Professora Doutora Véronique Perruchon do Laboratório Lumiére de Spectacle da Universidade de Lille, norte da França. Ela fará um diálogo sobre seu livro “Noir Lumière et théâtralité” e também sobre processos de intercâmbios universitários na área de iluminação cênica entre Brasil e França.

A realização do evento é uma parceria dos projetos LUZ – Laboratório Universitário em Pedagogias Complementares para Tecnologias Cênicas e LUZ – Laboratório Universitário de Tecnologias Cênicas,vinculados ao Departamento de Artes Cênicas do CEART.

Atividades realizadas no Teatro da UFSC/Departamento Artístico Cultural

Atividades: Data e Horário: Local:
Oficina – Sensibilidade à Luz Cênica, com Priscila Costa. 02/09 – 19h às 22h. Teatro da UFSC.
Palestra – A Luz e Não Luz, com Dr. Roberto Gill Camargo. 04/09 – 13h30 às 14h30. Teatro da UFSC.
Palestra – Diálogos e Desenhos de Luz, com Wagner Pinto e Carina Tavares. 04/09 – 15h às 16h. Teatro da UFSC.
Espetáculo ‘Confere’. Direção de Carina Maria Guimarães Moreira. 05/09 – às 20h30. Teatro da UFSC.
Espetáculo ‘Agoniza Mas Não Morre’. Direção de Henrique Bezzera. 06/09 – às 18h30. Cervejaria Sambaqui, com o apoio do DAC/SeCArte/UFSC.

Veja aqui a Programação Completa do Evento – A Luz em Cena

Veja abaixo alguns detalhes sobre a programação:

Oficina: ‘Sensibilização à Luz Cênica’

Sinopse: Experimentação e pesquisa em torno da iluminação cênica na preparação do corpo que se coloca em cena (atrizes/atores, dançarinas/os, músicas/os, performers). A proposta é sensibilizar, criar diálogos e momentos de interação com a luz.

Público-alvo: Atrizes/Atores, dançarinos, músicos, performers, iluminadores e interessados no tema.
Ministrante: Priscila Costa – graduada em Licenciatura em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2016). Atualmente mestranda pela Université d’Artois (França).
Necessidades para participantes: Roupas para atividade corporal.
Datae horário: 02/09/2019, das 19h às 22h.
Local: Teatro da UFSC – DAC UFSC.
Vagas: 15.

Espetáculo: ‘Confere’, direção de Carina Maria Guimarães Moreira

“Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. (Che Guevara)

Sinopse: “Confere” é um experimento cênico que aborda questões referentes aos dilemas democráticos no Brasil. Suas cenas intercalam presente e passado, narrando de forma intricada histórias sobre o início de nossa república, da ditadura militar decretada em 1964 e acontecimentos atuais, evidenciando a violência com as comunidades periféricas e os consequentes problemas de desigualdades sociais, que são encontrados até hoje no país. O experimento foi desenvolvido no âmbito do Grupo de Pesquisa em História, Política e Cena da Universidade Federal de São João del Rei com alunos do curso de graduação em Teatro e pós-graduação em Artes Cênicas, sob direção e coordenação da Professora Carina Maria Guimarães Moreira.

Ficha técnica:
Direção e coordenação: Carina Maria Guimarães Moreira
Dramaturgia: Josemir Medeiros e Carina Maria Guimarães Moreira
Iluminação: Laboratório de Iluminação Cênica da UFSJ – Coordenação: Berilo Nosella

Elenco:
Ana Paula Milagres Tostes
Bárbara Fátima dos Santos Lara
Beatriz Valquíria Ribeiro
Carlos Henrique Aurelio Dos Santos
Héricles Gomes de Araújo
Jhonata Francisco Castorino

Data e horário: 05/09 – às 20h30.
Local: Teatro da UFSC.

Foto: Acervo do Grupo

Espetáculo: ‘Agoniza Mas Não Morre’, da Cia Balacochê

Sinopse: O espetáculo se inicia com sete figuras preparando uma festa para um convidado especial que, ao chegar, lhes faz uma surpresa. Regado a muito samba e alegria, “Agoniza Mas Não Morre” convida os espectadores a fazer parte deste festejo, partilhando com estes sete indivíduos suas lutas, seus sorrisos e suas bebidas. A proposta é encarar a festa como forma de resistência, um convite para continuar a enfrentar as tragédias diárias com sorriso no rosto e samba no pé, cultivando uma alegria subversiva e a anarquia da felicidade. “Agoniza Mas Não Morre” é um espetáculo teatral que nasce do desejo de democratizar a prática cênica e uni-la a um ritmo tão popular e característico da população brasileira: o Samba. O espetáculo mostra a situação de sete figuras que preparam uma festa para um convidado especial que, ao chegar, lhes faz uma surpresa. Através da metáfora da festa, convida-se os participantes a refletir: O que fazer para se manter e se sentir vivo nos dias de hoje? A construção do espetáculo ocorreu por meio de improvisos estruturados que, posteriormente, deram forma a história que permeia o trabalho. Sua realização ocorre em bares da cidade famosos por promoverem rodas de samba, buscando colocar atores e atrizes em um estado de fricção com a realidade destes frequentadores.

A Cia. Balacochê

A companhia Balacochê nasceu da comunhão de indivíduos de trajetórias e locais diversos do Brasil (Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Santa Catarina). “Agoniza Mas Não Morre” é o primeiro trabalho em conjunto da companhia e já carrega consigo o Prêmio do Fundo Municipal de Cultura de Florianópolis 2018, bem como seis apresentações ao longo de toda a ilha em seis bares diferentes, além do planejamento de uma temporada pelo estado catarinense. Não obstante, individualmente seus artistas carregam uma longa trajetória no teatro, música e dança. Jemerson Batista atuou no “Brasil Brasileiro” espetáculo de dança que circulou a Europa em 2014, Henrique Bezerra é professor da Licenciatura em Teatro na UDESC e junto com Ela Nascimento circulou o Nordeste com o espetáculo “Para não falar de teatro” em 2011, além de trabalharem com o diretor Antonio Fava no Stage Internazionale dell’attorecomico em RegioEmilia, Itália em 2014. Jucca Rodrigues foi autor de “Crônica de um teatro ambulante” (Direção de Marcelo Lazzarato, 2005) dentre outros textos e também atuou como coordenador regional da FUNARTE SP (2008). Yasmim Furtado e Charles Augusto carregam a experiência de espetáculos no circuito catarinense de teatro e, por fim, Rafael Humberto, Thaís Cardoso e Natan Nicolas trazem consigo suas experiências no samba e choro da noite catarinense.

Ficha técnica:
Direção: Henrique Bezerra
Dramaturgia e assistência de direção: Jucca Rodrigues
Direção musical: Rafael Humberto Martoramo
Cenografia: Estúdio Craft
Cenotecnia: Serrafer Design, Estúdio Craft
Iluminação: Ivo Godois e Priscila da Costa
Figurino: Esha
Produção: Elaine Nascimento, Yasmim Furtado e Henrique Bezerra
Designer gráfico: Cainã Margarida
Vídeo: Soni Nestor

Elenco:
Charles Augusto
Elaine Nascimento
Jemerson Batista
Yasmim Furtado
Natan Nicolas
Rafael Humberto Martoramo
Thaís Cardozo Favarin

Data e horário: 06/09 – às 18h30.
Local: Cervejaria Sambaqui, com o apoio do DAC/SeCArte/UFSC.

Serviço

O quê: 9ª edição do evento ‘A Luz em Cena – Laboratórios Experimentais – Interfaces e Aprendizados’.
Quando: De 2 a 6 de setembro de 2019.
Onde: Teatro da UFSC (ao lado da Igrejinha), R. Des. Vítor Lima, 117 – Trindade e CEART UDESC, Av. Madre Benvenuta, 1907, Itacorubi.
Quanto: Evento gratuito. Inscrições até 30 de agosto pelo formulário online.
Contato: Departamento Artístico Cultural: telefones (48) 3721-6493, 3721-9447 e 3721–2498 — www.dac.ufsc.br
Contato com a Produção: // Facebook: facebook.com/luzlaboratorioudesc // Instagram: @luz.laboratorio

Veja aqui a Programação Completa do Evento – A Luz em Cena

Matheus Bonfim / Estagiário de Jornalismo / DAC/SeCArte/UFSC, com textos e fotos da produção.

 

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18/08/2019 23:35

Projeto 12:30 recebe a banda “Flora Marginal”, quarta-feira, dia 21/8. Gratuito e aberto à comunidade. Clic na imagem e saiba mais.

Espetáculo ‘Alguém Sabe Quem é Quem?’ estreia no Teatro da UFSC

18/08/2019 23:15

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Cena da peça

Espetáculo sobre refugiados e imigrantes estreia no Teatro da UFSC, no fim de semana

O Teatro da UFSC estreia a peça “Alguém Sabe Quem é Quem?”, espetáculo do Grupo Pesquisa Teatro Novo, nos dias 23, 24, 25 (sexta-feira, sábado e domingo) e 29, 30, 31 de agosto (quinta-feira, sexta e sábado), às 20h. O premiado texto de Sérgio Meurer aborda uma temática importante da sociedade: os refugiados / imigrantes no país. Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos uma hora antes do início da sessão. A apresentação integra a programação do Projeto Cena Aberta, realizado pelo Departamento Artístico Cultural (DAC)/SeCArte da UFSC. Em 2019, o Teatro da UFSC completa 40 anos.

Sinopse

O premiado texto de Sérgio Meurer aborda o urgente tema dos Refugiados/ Imigrantes no país através de dois personagens: Geraldo e Gérard. O imigrante austríaco, Geraldo, que veio ao Brasil, quando criança, com os pais que fugiam da guerra; hoje aposentado, residente em Florianópolis, conhece um refugiado vítima das catástrofes que assolaram o Haiti, Gérard. Os dois se encontram durante as obras no edifício que habita Geraldo e Gérard trabalha. A rejeição dos moradores do edifício com um trabalhador não brasileiro e a presença de outros núcleos migratórios são apresentados em cena. Do texto original de Sérgio Meurer, foram adaptadas, nessa encenação, algumas cenas, como ao final, que deveria ser a leitura da vida de imigrantes em um cemitério, mas a direção do espetáculo trouxe as personagens vivas e acrescentou outros imigrantes, como uma portuguesa que fugiu do regime de Salazar em Portugal, um Venezuelano, e ainda o retorno do personagem Gérard, refletindo sobre sua percepção de como ocorre o racismo no Brasil. Originalmente o texto de Sérgio Meurer traz uma imigrante que morre numa viagem de navio no início do século passado; essa cena foi suprimida, a encenação acresceu slides texturizados sobre a chocante imagem do imigrante que apareceu afogado em uma praia por esses tempos atuais. Personagem com sotaque ilhéu, Oralda foi acrescida na montagem.

Gérard e Geraldo, em cena da peça

Por que encenamos esse texto? — segundo a diretora Carmen Fossari

“Porque se não soubermos pelo coração quem é quem, estamos construindo um país do não, do ódio, da intolerância, segregacionista. Queremos, pelo viés humano, um Brasil tolerante, amoroso! Que a arte cumpra sua urgente função social nos difíceis dias que vivemos.”

A produção do espetáculo

Logo que a diretora leu o texto, teve o primeiro intuito de trabalhar com um imigrante haitiano, pois é muito atenta a esse núcleo e, por alguns meses, o Grupo contou com a presença do amigo Mackendy Emmanuel, com a esperança de que ele se interessasse em subir ao palco como ator, mas não era a vocação dele. Dessa convivência, o Grupo pode saber a visão dele em relação ao texto, discorrer sobre a cultura haitiana, e também fez perceber da alegria que a espiritualidade imprime à cultura haitiana. A peça reúne dois grandes atores, que já haviam protagonizado montagens anteriores do Grupo Pesquisa Teatro Novo, a saber: Adriano de Brito, que interpretou Cruz e Sousa na peça Vozes Veladas, e Marcos Willerding, que interpretou Pai Ubu, na peça Ubu Rei.

Linguagens e recursos usados na encenação

Das inúmeras montagens do Grupo Pesquisa Teatro Novo, esta certamente foi a que encontrou muitas dificuldades, coincidindo com um processo que as universidades têm sofrido. Um momento difícil num país que apregoa que a Ciência não é mais relevante, que o saber pode ser dispensado dentre outros temas medievais que saem da escuridão e pulam dentro das redes como fachos de fogueiras para queimar bruxas e bruxos…

Tais dificuldades coincidem com esse universo difícil que vivem os refugiados e imigrantes. Essa montagem acontece porque contou com a energia e a generosidade de todos os artistas envolvidos. A arte imita a vida, ou a vida imita a arte? Diante deste cenário, um desafio: buscar na arte linguagens para um tratamento estético capaz de traduzirem esse universo tão humano e desumano concomitantemente. Quando a criança refugiada síria Aylan Kurdi, de três anos de idade, morreu afogado em Bodrun, na Turquia, a fotografia comoveu o mundo, e muitos artistas veicularam via internet ilustrações de suas releituras dessa imagem que virou comoção mundial — não foi nem a primeira nem a última. Algumas daquelas ilustrações foram texturizadas e inseridas na peça. O cineasta Zeca Pires gravou uma cena externa no Mercado Público de Florianópolis com o ator Adriano de Brito que é inserida no espetáculo, provocando um diálogo entre teatro e cinema, muito instigante. O músico e compositor Caco Andara criou uma música a partir do tema dos refugiados e que se transformou em tema da peça: um violão cujas cordas se transformam em lágrimas e esperança. Uma gravura do álbum “Florianópolis de Ontem”, de Domingos Fossari, foi inserida como elemento cenográfico para a ambientação histórica.

Como é característica do Grupo Pesquisa Teatro Novo, o público sempre é surpreendido com encenações marcantes, com uma estética que prima pelo diálogo entre a palavra e a forma posta em cena. Essa montagem segue esse caminho, e para tanto recorre a interpretações magistrais de um excelente elenco, recursos de pantomima, cenário interativo, audiovisual, uma trilha sonora original e também de pesquisa de um som incidental. Os ambientes se mesclam com imagens projetadas que muitas vezes se tornam o próprio cenário. Por se tratar de um tema humano denso, a preocupação da direção foi trazer o texto de forma onírica, trazendo a denúncia sem se afastar da linguagem estética que a arte também evoca!

Elenco:
Adriano de Brito
Marcos Willerding
Beth Nogueira
Marlete Duarte
Arthur Folkovski
Muriel Martins
Pedro Seolin
Maurício Leão

Ficha Técnica:
Cenografia: Marcos Carioni
Cena filmada: Zeca Pires
Montagem de Luz: Luciano Bueno de Oliveira
Música Original Violão: Caco Andara
Pesquisa: Grupo Pesquisa Teatro Novo (GPTN)
Colaborador (cultura haitiana): Mackendy Emmanuel
Figurino: Acervo GPTN
Apoio no Figurino: Marlete
Maquiagem: Grupo Pesquisa Teatro Novo
Operador de Som: Márcio Tessmann
Desenho de Luz, Trilha Sonora e Texturização das Imagens: Calu
Apoio de bastidores: Eugenia Reksua e Cristhofer Laurindo
Fotos: Carmen Fossari
Agradecimentos: Departamento Artístico Cultural e Secretaria de Cultura e Arte da UFSC

Serviço:

O quê: Estreia do espetáculo “Alguém Sabe Quem é Quem?”, do Grupo Pesquisa Teatro Novo da UFSC.
Quando: dias 23, 24, 25 (sexta, sábado e domingo) e 29, 30, 31 (quinta, sexta e sábado) de agosto de 2019, às 20 horas.
Onde: Teatro da UFSC (ao lado da Igrejinha), Praça Santos Dumont / Rua Desembargador Vítor Lima, 117, Trindade, Florianópolis (SC).
Quanto: Entrada franca, por ondem de chegada. Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos uma hora antes do início da sessão. (Capacidade do Teatro: 108 pessoas)
Contato: Departamento Artístico Cultural: telefones (48) 3721-6493, 3721-9447 e 3721–2498 — www.dac.ufsc.br

 

Matheus Bonfim / Estagiário de Jornalismo / DAC/SeCArte/UFSC, com texto da direção do espetáculo

 

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