Mural Humanidade

Mural Humanidade

Mural Humanidade

A pintura mural Humanidade, obra de Hassis (Hiedy de Assis Corrêa) realizada em 1978, ocupa as paredes internas do antigo altar-mor e parte da nave central da Igrejinha da UFSC. Com160 m2é a maior obra do artista. A pintura está bastante danificada e carece de tratamento urgente. Propostas para a conservação e o restauro do mural esbarram ora na falta de recursos para elaboração de projetos executivos, ora na dificuldade de captação de recursos para a execução.

“Hassis criança morou numa chácara do bairro. Foi ajudante de missa na Igrejinha da Santíssima Trindade. Seu pai, tenente do exército, e sua mãe foram atuantes na vida da comunidade. Vivia intensamente a paisagem cultural do bairro e seus arredores. Funcionário da UFSC, artista maduro e crítico, explodiu sua vida em cores na pintura mural Humanidade.” (Clóvis Werner, historiador – Catálogo do Projeto Assim Hassis, 2006)

 

“Não houve um só HASSIS, mas vários: o pintor e o desenhista autodidata, o criador a óleo e a nanquim, o muralista e o publicitário de painéis e cartazes, o ilustrador de capas de livros e revistas, contos e crônicas… HASSIS se torna a própria quintessência da arte, que é a simplicidade e a espontaneidade, a capacidade de “descobrir o real sob a epiderme do visível”…

(Sérgio da costa Ramos – Diário Catarinense 04/07/2001)

 

“O homem não precisa ser coerente. A obra de arte é sim, para se alçar à potência expressiva e adquirir intensidade e eficácia quando gerada pela organização que lhe impõe um sujeito atento, que não vacila, mormente quando “improvisa”. Nesse ponto todas as fidelidades se encolhem; expande-se apenas o olhar interrogador sobre a matéria ou gesto. “Pagar ou ver”, eis a fórmula em que HASSIS resume a saga que envolve esse contínuo percrutar, que jamais conduzirá às certezas. E que foi magistralmente vivido por ele na série de desenhos que nos legou, e que traduzem com perfeita adequação a epígrafe que lhe pedimos de empréstimo, e que aqui repetimos: ‘Eu, graças a Deus, nunca encontrei o que busco’.”

(João Evangelista de Andrade Filho – Professor titular da UnB e Administrador do Museu de Arte de Santa Catarina – MASC)

 

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Hassis (Hiedy de Assis Corrêa)

Hassis (Hiedy de Assis Corrêa)

CURRICULUM VITAE – HASSIS

De Hiedy Assis Corrêa, passou a H. Assis Corrêa, depois H. Assis, para resumir-se a Hassis. Nascido em Curitiba/PR, em 1926, residiu em Florianópolis desde 1928. Começou a demonstrar sua criatividade desde a infância, quando empolgava-se com as revistas em quadrinhos, seus movimentos, formas e cores.

Trabalhou como desenhista em empresa de tipografia e urbanismo e na madeireira Santo Amaro, junto ao Porto de Florianópolis. Surgem daí os temas dos bares e da turma da madrugada.

Em 1948, seu então professor de português na Academia de Comércio de Santa Catarina, Aníbal Nunes Pires, o convida para ilustrar o conto “Flores” e a capa do livro “Terra Fraca”. Para Salim Miguel, ilustra o conto “Noturno”, e assim, torna-se ilustrador da Revista Sul, passando a contribuir com o movimento literário e artístico conhecido por “Grupo Sul”, na década de40 a50.

Em 1957 fez uma série de desenhos com motivos do folclore ilhéu no Restaurante Caiçara, já demolido. Na época, o adido cultural do Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU), tendo ido almoçar naquele restaurante, gosta do trabalho e convida-o a fazer a 1ª Exposição de Pinturas e Desenhos de Motivos Catarinenses.

Na mesma época, torna-se membro fundador do Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis – GAPF, e participa do primeiro Salão desse mesmo grupo, obtendo o 1º lugar com a tela “Vento Sul com Chuva”.

De1961 a1987, Hassis faz a decoração de carnaval nos principais clubes da cidade, sendo a mais tradicional a do Clube 12 de Agosto.

Dos diversos temas que abordou em sua obra, em murais, desenhos ou pinturas, apresenta em 1962 os 14 passos de sua Via Crusis, onde consegue expressar toda serenidade de Cristo no sofrimento do Calvário.

Em 1965 criou desenhos motivados no folclore ilhéu, em mosaico português, para cinco praças públicas de Florianópolis.

A exposição “O Circo”, apresentada em 1972, mostra o universo do circo, povoado de sonhos e fantasias. Estes mesmos desenhos apresentados na exposição foram reunidos num álbum contendo 19 pranchas e intitulado “Respeitável Público”, publicado em 1982.

No início de 1978, então funcionário da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, foi visitar a Capela da Santíssima Trindade Que estava sendo restaurada e onde, na infância, ajudara como sacristão. Entusiasmado, prontificou-se a executar um mural que foi intitulado “Mural Humanidade”, com160 metros, no qual procurou fazer uma análise pessoal deste século, abordando uma linguagem universal: O Apocalipse.

Hassis sempre foi um interessado pela Guerra do Contestado. Desde os anos 50 , por intermédio do seu avô, que teve participação direta no conflito e também quando era motorista de caminhão, transportando madeira na região serrana onde conheceu alguns remanescentes do conflito.

Iniciado em 1984, o painel “Contestado – Terra Contestada”, em36 metros, divididos entre os seus sete módulos, onde os desenhos fazem um relato cronológico do conflito. Este painel, após ficar por anos no Terminal Rodoviário Rita Maria, em Florianópolis, atualmente se encontra no Museu do Contestado, em Caçador – SC.

Hassis executou o mural do Aeroporto Hercílio Luz com rendeiras e pescadores da Ilha de Santa Catarina; o mural do Banco do Brasil, com aspectos da Ilha e, em agência do mesmo banco, na cidade de Porto, em Portugal, com um panorama das regiões brasileiras.

É autor, ainda, de murais expostos nas seguintes instituições: Banco do Brasil S.A., Florianópolis/SC – 1971; Clínica de Olhos São Sebastião, Florianópolis/SC – 1972; Indústria Perdigão S.A., São Paulo/SP – 1977; USATI S.A, Florianópolis/SC – 1978; Capela da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis/SC –1979; Banco do Brasil S.A., Agência do Porto – Portugal – 1980; Banco do Brasil S.A., Agência Joinville/SC – 1984; Residência de Max Stolz Neves, Curitiba/PR – 1984; Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, Florianópolis/SC – 1986.

Participou de aproximadamente 213 coletivas e salões de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Conta com mais de 66 exposições individuais realizadas.

Obras suas integram o acervo dos seguintes Museus de Arte: MASC de Florianópolis/SC, MAC de Curitiba/PR, além de coleções particulares no Brasil e no exterior.

Seu nome é verbete no Dicionário de Artes Plásticas no Brasil, Grande Enciclopédia Delta Larouse, História de Santa Catarina – Grafipar, Espreita no Olimpo de Péricles Prade, página 83, revista Cultura do MEC – Brasília/DF, Santa Catarina – Terra e Gente, Nove Membro do GAPF – 20 anos 58/78, Caderno de Arte Catarinense de Adalice Araújo – Curitiba/PR.

Toda a evolução plástica de Hassis aborda seus registros de infância, situações do cotidiano, as marinhas, os temas sociais e sempre o folclore ilhéu, os lugares e personagens da terra catarinense, onde vive desde os dois anos de idade, e também onde tornou-se marco importante no contexto de nossa arte.

Conforme escreveu Harry Laus em 1987: “Hassis continua atento e produtivo como em1957. Adiferença é que, hoje, não escandaliza mais ninguém porque a cidade aprendeu com ele muitas lições e agradece, com alegria, mais este atestado de amor a arte”.

 

Cronologia

Hiedy de Assis Corrêa – Hassis

Curitiba – PR – 1926

Florianópolis – SC – 2001

Desenhista e pintor autodidata

 

Exposições Individuais:

1960 – Instituto Brasil – Estados Unidos, IBEU, Florianópolis, SC.

1961 – Galeria Lojas Eletro-Técnicas, Florianópolis, SC.

1962 – Via Crucis, Teatro Álvaro de Carvalho, Florianópolis, SC.

1964 – Via Crucis, Galeria Corredor de Arte, Rio de Janeiro, RJ.

1964 – Museu de Arte Moderna de Florianópolis – MAMF.

1965 – Desenhos, Câmara Jr., Rio do Sul, SC.

1966 – Museu de Arte Moderna de Florianópolis – MAMF.

1968 – Museu de Arte Moderna de Florianópolis – MAMF.

1969 – Museu de Arte Moderna de Florianópolis – MAMF.

1969 – Santa Catarina Country Club, Florinópolis, SC.

1971 – Via Crucis, Galeria Açu Açu, Blumenau, SC.

1971 – Via Crucis, Matriz São Paulo Apóstolo, Blumenau, SC.

1973 – Casa da Cultura, Joinville, SC.

1976 – 20 Anos de Criação Artística, Assembléia Legislativa, Florianópolis, SC.

1976 – Pintura Recente, Galeria Bom Abrigo, Florianópolis, SC.

1976 – 20 Anos de Criação Artística, UFSC, Florianópolis, SC.

1977 – 20 Anos de Criação Artística, Teatro Carlos Gomes, Blumenau, SC.

1978 – Via Crucis, UFSC, Florianópolis, SC.

1978 – O Circo, Paço das Artes, São Paulo, SP.

1980 – Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, PR.

1981 – Galeria Domus, Florianópolis, SC.

1982 – Via Crucis e Respeitável Público, MASC, Florianópolis, SC.

1982 – Respeitável Público, Casa da Cultura, Joinville, SC.

1983 – O Circo/Artepoema, Museu Guido Viaro, Curitiba, PR.

1983 – Artepoema, Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, SP.

1983 – Artepoema, UFSC, Elase, FURB e FURJ, SC.

1984 – Artepoema, ACAP, Florianópolis, SC.

1985 – Contestado – Terra Contestada, MASC, Florianópolis, SC.

1985 – Artepoema, Itajaí, Brusque, Tubarão e Chapecó, SC.

1986 – Artepoema, Associação Catarinense dos Escritores, Florianópolis, SC.

1986 – Contestado – Terra Contestada, Caçador, SC.

1987 – 30 Anos de Arte, Armazém Vieira, Florianópolis, SC.

1990 – Contestado – Terra Contestada, Museu Histórico de Santa Catarina, Florianópolis, SC.

1990 – 50 Anos do Desenho, MASC, Florianópolis, SC.

1991 – Pintura/Desenho, Caixa Econômica Federal, Florianópolis, SC.

1991 – Farra do Boi, Caixa Econômica Federal, Florianópolis, SC.

1991 – Hassis, Galeria Banestado, Curitiba, PR.

1991 – Pinturas, Espaço Cultural Banco do Brasil, Florianópolis, SC.

1993 – Farra do Boi, Palácio Cruz e Souza, Florianópolis, SC.

1994 – Desenhos, Museu Victor Meirelles, Florianópolis, SC.

1995 – Expo por Expo, FURB, Blumenau, SC.

1995 – Expo por Expo, FURB, Blumenau, SC.

1995 – Expo por Expo, BADESC, Florianópolis, SC.

1996 – 7 de 70, Sala Especial Harry Laus, MASC, Florianópolis, SC.

1997 – Projeto Verão Cultural, Florianópolis, SC.

1997 – 7 de 70 – Galeria da UFSC, Florianópolis, SC.

1997 – 7 de 70 – Casa da Cultura – PM Tubarão – UNISUL, Tubarão, SC.

1997 – O Homem e o seu Tempo – Espaço Cultural – OAB/SC, Florianópolis, SC.

1997 – Vento Sul e Chuva – 40 Anos depois 57/97 – BADESC, Florianópolis, SC.

1997 – 7 de 70 – Casa da Cultura – Dide Brandão – Prefeitura Municipal de Itajaí – ACAP, Itajaí, SC.

1998 – Desenhos e Pinturas – PUC – Curitiba, PR

1998 – Futebol/Bar – Espaço Cultural BESC – Florianópolis, SC

1999 – Hassis x H.HQ – MASC, Florianópolis, SC

2000 – Hassis Brasil – 500 Anos – UFSC, Florianópolis, SC

2000 – Hassis Brasil – 500 Anos – Assembléia Legislativa/SC

 

 

Exposições Coletivas

1957 – Hassis/Meyer Filho, IBEU, Florianópolis, SC.

1958 – Centro Catarinense, Curitiba e Rio de Janeiro.

1959 – 4 Artistas Ilhéus, Florianópolis, SC.

1960 – GAPF no IBEU, Florianópolis, SC.

1960 – Hassis – Jair Platt, Biblioteca Pública do Paraná, Curitiba, PR.

1961 – Galeria Baú, Florianópolis, SC.

1964 – Artistas no IBEU, Florianópolis, SC.

1967 – Florianópolis Arte 67/UFSC, Florianópolis, SC.

1970 – Galeria Açu Açu, Blumenau, SC.

1970 – Galeria Desterro, Florianópolis, SC.

1971 – 12 Artistas de Florianópolis, MASC.

1971 – II Coletiva de Artes Plásticas Barriga Verde, Blumenau, SC.

1972 – Galeria Açu Açu, Blumenau, SC.

1972 – Hassis/Vecchietti, MASC.

1973 – IV Coletiva de Artes Plásticas Barriga Verde, Blumenau, SC.

1974 – Artistas Catarinenses – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Joinville e Itajaí.

1974 – Estúdio A2, Lages, Joinville e Florianópolis, SC.

1975 – ARS ARTIS/Estúdio A2, Florianópolis, SC.

1976 – 250 Anos de Cultura, Florianópolis, SC.

1976 – Galeria do Centro Bom Abrigo, Florianópolis, SC.

1977 – ARS ARTIS/Studio A2, Florianópolis, SC.

1977 – Galeria Victor Meirelles, Florianópolis, SC.

1977 – Pan’Arte, Balneário Camboriú, SC.

1978 – Pintura Brasileira Contemporânea, Florianópolis, SC.

1978 – Arte Barriga Verde, BADEP, Curitiba, PR.

1978 – Hassis/Jayro, Galeria Victor Meirelles, Florianópolis, SC.

1978 – Nove do GAPF – 20 Anos Depois, Florianópolis, SC.

1978 – O Circo, Paço das Artes, São Paulo.

1978 – Artistas Catarinenses, Funarte, Rio de Janeiro, RJ.

1978 – Galeria Domus, São Paulo, SP.

1979 – Memorial Eduardo Dias, Assembléia Legislativa, Florianópolis, SC.

1979 – Galeria Açu Açu, Joinville, SC

1979 – Pan’Arte, Balneário Camboriú, SC.

1980 – Museu de Arte Contemporânea do Paraná.

1980 – 9 do GAPF, Florianópolis, SC.

1980 – Nove da Ilha, Museu de Arte de Joinville.

1981 – 20 Artistas Catarinenses, Teatro Guaira, Curitiba, PR.

1981 – Arte Catarinenseem São Bernardodo Campo, SP.

1982 – Stúdio de Artes, Florianópolis, SC.

1983 – A ilha revisitada, MASC, Florianópolis, SC.

1983 – ACAP em Brasília, DF.

1984 – Carnaval, ACAP, Florianópolis, SC.

1984 – Arte Sacra, ACAP, Florianópolis, SC.

1984 – Aquisições e Doações, MASC, Florianópolis, SC.

1984 – Arte de Santa Catarina na FAAP, São Paulo, SP.

1984 – Mostra de Arte Catarinense no MARGS, Porto Alegre, RS.

1984 – Artepoema, ACAP, Florianópolis, SC.

1985 – Artepoema, Itajaí, Brusque, Tubarão e Chapecó, SC.

1985 – Contestado – Terra Contestada, MASC.

1985 – Panorama Arte Catarinense, Teatro Guaira, Curitiba, PR.

1986 – Hassis/ Vera Café, ACAP, Florianópolis, SC.

1986 – 111 Artistas pela Paz, ACAP, Florianópolis, SC.

1986 – Contestado – Terra Contestada, Caçador, SC.

1987 – Memória do MASC, 38 anos.

1987 – Panorama Catarinense de Arte, MASC.

1987 – Galeria Açu Açu e Galeria Lascaux, Blumenau, SC.

1988 – Expo-Arte, Assembléia Legislativa, Florianópolis, SC.

1988 – 10 Anos de Stúdio de Artes, Florianópolis, SC.

1988 – 30 Anos do GAPF, Florianópolis, SC.

1988 – Hassis/ Meyer Filho – 30 Anos depois, Florianópolis, SC.

1988 – Farra do Boi, Stúdio de Artes, Florianópolis, SC.

1988 – O Circo, ACAP, Florianópolis, SC.

1990 – Comparação Ontem-Hoje, MASC.

1990 – Out-Door, Arte na Rua, Fundação Prometheus Libertus, Florianópolis, SC.

1991 – Coletiva de Verão, BADESC, Florianópolis, SC.

1991 – Mito e Magia na Arte Catarinense, Portal Turístico, Florianópolis, SC.

1992 – A Arte que vem do Mar, Espaço Cultural Banco do Brasil, Florianópolis, SC.

1992 – Vida e Arte de Harry Laus, MASC.

1992 – Hassis/ Pléticos, Espaço de Arte, Florianópolis, SC.

1994 – Hassis e a revista Sul, MASC 45 anos.

1994 – Artistas Catarinenses, AAPLASC, Florianópolis, SC.

1994 – Bienal do Design Gráfico, CIC, Florianópolis, SC.

1995 – Primavera/ Verão 95/96, Espaço Sebrae, Florianópolis, SC.

1995 – Papel do Papel, ACAP.

1995 – Acervo MASC – Alguns de seus Grandes Artistas.

1996 – Florianópolis através da Arte, MASC, Florianópolis, SC.

1996 – GAPF – Um Mundo que mereceu não Morrer – Sala Especial Harry Laus, MASC.

1997 – Álbuns do Acervo – MASC, Florianópolis, SC.

1997 – Espaço Cultural “Fernando Beck” – BADESC, Florianópolis, SC.

1997 – Esboço da Vida – ACAP, Florianópolis, SC.

1997 – Esboço da Vida – ACAP, Florianópolis, SC

1998 – Arte ao Vivo – Shopping Itaguaçu – São José, SC

1998 – Cem Anos sem Cruz e Souza – CIC – FCC, Florianópolis, SC

1998 – “O Mar” , FPAPEU, UFSC, Florianópolis, SC

1998 – “O Mar” , Camboriú, SC

1998 – Papel da Arte – ACAP, Florianópolis, SC

1998 – Os Mares e Oceanos – ACAP, Florianópolis, SC

1998 – Coletiva APLASC, Florianópolis, SC

1998 – Coletiva APLASC, Indaial, SC

1998 – “O Mar” ,Espaço Cultural Mercosul, Florianópolis, SC

1998 – Banco de Arte – BADESC, Florianópolis, SC

1998 – Açores e Brasil – 250 anos – UFSC, Florianópolis, SC

1998 – Expo Arte – OAB, Florianópolis, SC

1999 – Expo – “Carnaval” ACAP – Florianópolis, SC

1999 – ACAP – Semana Cultural 24º aniversário, Florianópolis, SC

1999 – Coletiva de Inverno da ACAP, Florianópolis, SC

1999 – Coletiva APLASC – Assembléia Legislativa, Florianópolis, SC

1999 – Guerra do Contestado

1999 – Florescência – ACAP – UFSC – OAB , Florianópolis, SC – Salão de Arte Municipal Braço do Norte – Festa das Flores – Joinville, SC

1999 – Coletiva dos Funcionários da UFSC – Florianópolis, SC

1999 – ACAP – 2000 Arte na passagem do milênio – UFSC, Florianópolis, SC

1999 – Desenhos e Gravuras – Acervo do Museu Vitor Meirelles – Florianópolis, SC

1999 – A Natividade – Botticelli – Galeria da UDESC – Florianópolis, SC

2000 – Hassis / Loro – ACAP, Florianópolis, SC

 

Participações em Salões

 

1958 – I Salão do GAPF.

1959 – II Salão do GAPF.

1969 – Salão de Arte Deatur, Florianópolis, SC.

1969 – Salão de Arte da Rádio Diário da Manhã, Florianópolis, SC.

1970/72 – Pré Bienal de São Paulo, SP.

1972 – I Salão de Arte da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, SC.

1977 – Salão Cimo, Florianópolis, SC.

1977 – 34º Salão Paranaense, Curitiba, PR.

1978 – III Mostra de Desenho, Curitiba, PR.

1978/79 – I e II Salão de Artes Plásticas da TELESC, Florianópolis, SC.

 

Premiações

1958 – 1º Lugar – I Salão do GAPF.

1958 – 1º Lugar – Concurso de Cartazes – Âmbito Regional. Ministério da Agricultura, Florianópolis, SC.

1958 – Menção Honrosa – concurso de Cartazes – Âmbito Nacional. Ministério da Agricultura, Rio de Janeiro, RJ.

1959 – Menção Honrosa – II Salão do GAPF.

1959 – 1º Lugar – Concurso de Capa de Livro – Folclore de Brusque, SC.

1960 – Menção Honrosa no Catálogo do Festival de Teatro Universitário, Brasília, DF.

1963 – 1º Lugar em Ilustração – Departamento de Cultura de SC.

1978 – Menção Honrosa – II Salão de Desenho da Secretaria de Educação e Cultura do Paraná

1978 – 1º Lugar – Concurso de Cartazes no 4º Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas – UFSC.

1979 – 1º Lugar – Concurso de Cartazes no 4º Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas – UFSC/ Funarte, Florianópolis, SC.

1981 – Prêmio CODESC de Desenvolvimento das Artes Plásticas – Governo do Estado de Santa Catarina.

1982 – Troféu, “O Catarina” – Os Melhores do Ano – Jornal “A Ponte”, Florianópolis, SC.

1983 – Prêmio “Pintura de Anhatomirim”, UFSC.

1984 – Prêmio “Universo Ferroviário”, Tubarão, SC.

1987 – Capa da Lista Telefônica de SC Listel/ TELESC, Florianópolis, SC.

1994 – Honra ao Mérito – Título de Cidadão – MASC – 45 Anos de Cultura.

1999 – 24 anos da ACAP Medalha Cultural Cruz e Souza – Governo do Estado de Santa Catarina

1999 – Participação TBS – TV – 100 Anos de História de SC

2000 – Medalha ao Mérito Cultural – UFSC, Florianópolis, SC

 

Murais

1960 – Oscar Palace Hotel, Florianópolis, SC.

1971 – Banco do Brasil, Florianópolis, SC.

1972 – Clínica de Olhos São Sebastião.

1976 – Aeroporto Hercílio Luz, Florianópolis, SC.

1977 – Indústria Perdigão S/A, São Paulo, SP.

1978 – Usati S/A, Florianópolis, SC.

1978 – Capela da Santíssima Trindade, UFSC, Florianópolis, SC.

1980 – Agência do Banco do Brasil, Porto, Portugal.

1984 – Banco do Brasil, Joinville, SC.

1984 – Residênica de Max Stolz Neves, Curitiba, PR.

1985 – Contestado – Terra Contestada, Terminal Rodoviário Rita Maria, Florianópolis, SC.

1986 – Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, Florianópolis, SC.

1999 – Residência de Vera Sabino

 

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A VISÂO APOCALÍPTICA DE HASSIS

Mural Humanidade

Mural Humanidade

[ Hassis e os Murais da Trindade, segundo a crítica e estudiosa de arte, Adalice Araújo, na coluna “Artes Visuais” do Jornal “Gazeta do Povo” de 3 de maio de 1979, Curitiba-PR – FONTE: “Informativo do Clube 12”, nº 31, 27 de maio de 1979. As fotos deste link são de 1978, 1996 e 2005.]

Hiedy de Hassis Corrêa pode ser considerado como um dos mais atuantes artistas do sul.

A extrema lucidez face aos problemas existenciais da sua época, unida a um ostensivo combate à violência, à inércia e à mediocridade fazem dele o “vaticinador da ilha”, aquele que não faz concessões.

Isso naturalmente ocasiona uma defasagem entre a sua imensa produção e o consumo da sua obra; sendo talvez o artista que menos vende. Daí porque se sinta como “o profeta que clama no deserto”; o que, porém, longe de desanimá-lo constitui-se num desafio à sua criatividade e incentivo à constante busca de renovação.

Sua obra atual surge como resultante de 20 anos de pesquisa. Saindo de uma pintura documental, com passagens pelo fauvismo, expressionismo, pop-art, concretismo – foi, no decorrer do tempo, penetrando numa atmosfera, nascida sob a égide de um telurismo crítico.

Ao longo da sua carreira observam-se algumas constantes: o processo narrativo, seja para falar das coisas catarinenses, como dos grandes problemas existenciais; a preocupação pelo homem como ser social; a tentativa de captar o local e de integrar-se à contemporaneidade. Conseqüentemente, a incessante busca – que, se julgada superficialmente pode parecer incoerência – mas que no fundo é autonomia criativa levando-o a ser não só um dos pioneiros da adoção da pop-art no sul do país, como um dos mais vigorosos muralistas contemporâneos em território nacional.

Há de se considerar ainda que tanto Hassis, como Pléticos, situam-se num nível de produção, cuja nascente está localizada no mito, tal como o divisou James E. Miller Jr. “por um lado como um exercício estético de preservar e reafirmar a fusão mágica e por outro como dramatização política de conflitos e interação de poderes que agem no interior das qualidades e objetos com os quais os poderes parecem identificados”.

Assim é que vamos encontrar uma mitopoesis c¡clica na obra de Hassis que, sem deixar de ser local, inscreve-o na corrente monumental no muralismo latino-americano e num conceito de universalismo.

Hassis, sob sua imponente obra, nos murais da Capela da Santíssima Trindade. Os murais têm mais de 160m2, e a capela fica no campus da UFSC. Ao fundo, na parede principal, a Santíssima Trindade. O rei negro segura o cálice com um rei branco […] para simbolizar a união das raças.

 

PROCESSO OPERATIVO

Temática – Em realidade, a obra de Hassis é unida por um elo co-existencial – verdadeiro gênese de sua obra – tornando-se difícil isolar as temáticas que usa, já que partem de uma raiz comum.

É, portanto, com objetivos meramente didáticos que propomos a seguinte classificação temática para a obra de Hassis:

a) Iconografia do cotidiano: onde capta a paisagem e o folclore ilhéu.

b) Temática social: surgida como evolução da pesquisa anterior, atinge seu clímax na série “Arquibancadas”.

c) Temática religiosa: inspirando-se em temas bíblicos, serve-se de uma linguagem dialética na “Via Crucis”.

d) Temática metafísico-tropical: usando recursos do concretismo – fase de Itaguaçu – engaja-se à Heidegger indo aos problemas fundamentais do homem, da sua natureza profunda e da sua inter-subjetividade, sem esquecer o sentido mágico local.

e) Temática catastrófica: como um vaticinador, grita contra as injustiças sociais, questiona o drama existencial do homem no século XX, o que é bastante evidente nas séries: “Humanidade”, – “O Homem e os Sete”, verdadeiras mitopoesias c¡clicas; e finalmente nos murais da Capela da Santíssima Trindade, a sua linguagem apocalíptica atinge o clímax.

 

OS MURAIS DA CAPELA DA TRINDADE

Para a Capela da Trindade, localizada no Campus da UFSC, HASSIS pintou uma  área de 160m2 que, ao lado da Via Sacra de Theodoro Bona para a Igreja de N. Sra. do Porto de Morretes; da tapeçaria de Janete Fernandes para a capela do Colégio Bom Jesus; dos murais de Aldo Locatelli para a Igreja de São Pelegrino de Caxias do Sul, figura entre as mais expressivas obras de arte religiosa contemporânea no sul do país.

Trata-se de um trabalho vigoroso, de absoluta contemporaneidade,em que HASSISprocura fundir o tropicalismo à dor existencial do ser humano neste fim de século. Para interpretar a trágica condição do homem triturado pelo sistema, serve-se da linguagem altamente simbólica do Capítulo VI do Apocalipse segundo São João.

 

AS ORIGENS DO TRABALHO

Por estar dentro do perímetro de seu campus universitário, a UFSC adquiriu recentemente o terreno em que se localiza a capela da Santíssima Trindade.

Trata-se de uma pequena igreja de nave única, separada por uma arcada – devido às suas primitivas funções – em dois ambientes. Um deles, a nave propriamente dita, e o outro a abside, espaço reservado ao alto-mor, com o teto abobadado, que por ter sua planta retilínea, é denominado de “capela-mor”, pelos arquitetos brasileiros.

Considerando o valor histórico desta igrejinha, a Reitoria resolveu restaurá-la para que abrigasse do Centro de Atividades Artísticas Universitárias, que serviria como auditório para recitais de poesia, corais e orquestras de câmara, cuja supervisão geral foi confiada ao maestro Acácio Santana.

Em inícios de 78, Hassis que era então funcionário da UFSC, foi visitá-lo. Entusiasmou-se tanto com a restauração da capela – onde na infância ajudara como sacristão – que comentou que executaria os murais em suas paredes, sem nada cobrar, bastando que seu tempo de permanência na Universidade fosse colocado à disposição do Centro de Atividades Artísticas, e que lhe fosse dado liberdade de atuação.

A conversa chegou ao Reitor, que aceitou a proposta na íntegra, inclusive no que diz respeito à interpretação dada pelo artista.

 

 

 

À DIREITA, A ABERTURA DO 3º SELO

HASSIS iniciou a pintura pela capela-mor propriamente dita. Apenas após sua conclusão é que executou o mural na arcada da separação com a nave.

Para conseguir resumir o “miserere” humano recorre à trágica e, ao mesmo tempo, fantástica ruptura dos sete selos, e, ao surgimento dos quatro cavaleiros narrados por São João no Apocalipse.

Na parede ao lado direito representa como temática principal a chegada do cavaleiro negro que segura a balança.

Em vez de trocar um dia inteiro de trabalho pelo trigo e cevada – referindo-se à inflação que atravessamos – substitui-os pela banana, símbolo tropicalista e ao mesmo tempo da impermanência das coisas. Um negro abutre, símbolo do orgulho e da opressão, reina como o Anticristo no alto da composição.

A cena é extremamente dinâmica; seres gesticulam, alucinados. Cavalos, filhos da noite, símbolos do psiquismo inconsciente, da impetuosidade dos desejos, atiram-se contra eles. Nos extremos, anjos cujas asas são folhas de bananeira, presentificam ainda aqui a natureza ilhoa e a abrangência tropicalista.

Mais à esquerda, como um sol, surge um relógio, sem ponteiros, porque há tempo para o despertar; não há hora para morrer; não há hora para fazer nada; toda hora é hora… todo tempo é tempo.

Uma viscosa serpente interpenetra-se entre os corpos como símbolo do feminismo do homem, identificando-se com Mercúrio, o deus andrógino.

 

PAREDE CENTRAL SANTÍSSIMA TRINDADE

No 7º capítulo, quando fala nos eleitos, São João diz: “Depois disso, olhando, vi uma multidão incalculável, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé diante do Cordeiro”. Foi justamente ao Cordeiro, símbolo de Cristo, que Hassis recorreu como centro de interesse da composição, que se desenvolve em torno dele de forma simétrica, mas igualmente dinâmica. Sobrepondo-o surgem dois reis, figuração duplicada de Deus Pai, através da qual o autor pretende unir as raças. O rei à direita é negro, e branco, à esquerda. O conceito de rei, tradicionalmente vinculado a impulsos cósmicos, liga-se ao arquétipo da perfeição humana.

Os reis seguram uma taça, com sangue de Cristo, símbolo sacrifical que por extensão representa a humanidade oprimida. O Espírito Santo é representado por uma pomba de grandes dimensões, que domina o alto da composição, atingindo um significado de paz, imaginação e liberdade espacial.

Embaixo, mãos em chama sugerem purificação, pedido de clemência e exaltação. Correspondem àuma tradição iniciática: “um estado de coração”.

À direita o cavaleiro branco, é que surge após a abertura do 1º selo. Segura o arco que corresponde, segundo a interpretação bíblica: “ao princípio das dores que fala Jesus no seu discurso escatológico”; sendo ao mesmo tempo uma arma de exorcismo e expulsão.

À esquerda, o cavaleiro com chifres, brandindo uma espada, representa as forças regressivas. Razão pela qual o demÔnio na iconografia cristã, é assim representado e porque também HASSIS assim simboliza o quarto terrível cavaleiro, chamado morte, aquele que montava o cavalo desbotado.

 

À ESQUERDA, CRUCIFICAÇÃO NA ESCADA

A tragédia prenunciada complementa-se na parede do lado esquerdo. O pássaro figurado, pela lança, simbolismo axial, denota que o homem ainda continua tribal, primitivo. A aldeia global não é nada mais nada menos que um clã antropofágico universal, que continua se autodevorando.

Repetem-se as mesmas gesticulações dramáticas. A posição da lança em diagonal não só introduz uma sensação alucinantemente dinâmica à composição, como cria impressão do remo de uma barca, na dramática travessia do inferno, descrita por Dante. Para HASSIS que passou a adolescência lendo os noticiários dos terríveis massacres praticados pelos nazistas, os campos de concentra‡Æo da II Grande Guerra, continuam ainda hoje no Vietnã, nas bombas nos aeroportos, que continuam até hoje (como no Vietnã), ou nos massacres contra atletas em olimpíadas.

Mais ao centro da composição, a crucificação ocorre em uma escada. Segundo Hassis, morrer na cruz foi privilégio de Cristo – “Acho que hoje o homem é crucificado na escada. No que tenta galgar o 1º degrau tem mais 20 querendo subir. Ele está, portanto, amarrado ao nascedouro”.

Abaixo, os arames farpados atravessando o corpo de outra figura, completa a imagem da agressão a Cristo, símbolo da humanidade.

Em meio aos gestos enlouquecidos, serpentes e outras imagens de atributos negativos, surge a esperança: um feto, símbolo das possibilidades de renovação e perpetuação do ser humano: germe da imortalidade.

 

NA ARCADA UM CRISTO ASTRONAUTA

Em dezembro de 78 Hassis complementou de forma triunfal os murais da Trindade, Homens-signos representados também aqui sobretudo pelas mãos, olhos, nariz e boca, atributos que nos  possibilitam ver, respirar, pegar. A serpente é finalmente atingida pela lança. Aos sons de trombetas e ladeado por anjos com asas de folhas de bananeira, Cristo assemelha-se a um astronauta solto no espaço dominando o centro da composição, o universo presentificando a capacidade do homem de triunfar sobre adversidade.

 

UM TRIPÉ ICÔNICO

Numa sensível análise, assim conclui Pisani, cr¡tico de arte: “Apóia-se simbolicamente num tripé icônico: a serpente, anjos, demônios, todos em luta pela posse do homem ou do poder. E para alcançar o poder em conseqüência, sobrepõe-se ao homem que não o busca e se equilibra em escadas quase impossíveis, numa autêntica crucificação. No entanto, apesar do conflito (as figuras são altamente deformantes, em cores vivas, primárias) há uma esperança que o verde em grande escala determina. Ali só as cores verde, azul, vermelho e branco são predominantes e aumentam o dramatismo da visão apocalíptica do pintor. O imenso painel tem uma perfeita unidade plástica pelo processo narrativo que o orienta. Eis um trabalho que veio para ficar e enriquecer mais um prédio da UFSC”.